Ser criança é…

No fim de semana passado, a nossa associação dos miúdos participou numa corrida de carrinhos de rolamentos. O nosso carro era um portento, consistente numa tábua de um roupeiro, com duas cordas a fazer de volante e um pau colado a uma roda de borracha a servir de travão (- somos assim, sempre preocupados com os mínimos pormenores).

A corrida foi numa rua íngreme aqui da terra, cortada ao trânsito e repleta de pessoas e fardos de palha nas valetas. E eis que ela se inicia.O nosso carrinho foi logo o primeiro. Começou muito bem, com uma saída numa bisga incalculável.

O nosso condutor era um dos miúdos, um pré-adolescente de 11 anos – que tinha ameçado de morte todos os colegas da associação caso não fosse ele a conduzir a viatura – que sorria vitorioso enquanto a sua carapinha esvoaçava por fora do capacete.

Desolador foi depois, quando a meio da rua o carro perde a força e fica por ali a marinar ao pé de uns caixote do lixo.

As pessoas que antes aplaudiam, riam-se agora de dedo em riste. A criança, envergonhada, choramingava agarrado ao pau do travão, tentando pateticamente balancear de novo o carrinho com os seus ténis mais que rotos.

Entretanto os outros miúdos do grupo, com o instinto vingativo ao rubro resolvem aplicar-lhe um vigoroso pontapé nas costas e a criança, morta de susto com as mãozitas a raspar no asfalto lança-se novamente na corrida e acaba por terminá-la em tempo recorde.

Ficámos em último lugar, desclassificados por batotice.O cenário? Enternecedor, com o condutor choroso a soprar nas mãos esfoladas e os outros miúdos todos a cuspir asneiras em crioulo.

é que é mesmo isto, afinal, a beleza de ser criança…
Saudades, muitas.

Partilha-me toda, eu gosto

23 comentários em “Ser criança é…

  1. Tenho um assim preso numa jaula. Sempre que o vou alimentar tenho que lhe dar com um pau, não pela pedagogia da medida mas apenas para gozo pessoal.

  2. Não sei mesmo, o que fazer
    Pois sei que não queres saber
    Mas sei o meu querer
    Vou fazer tudo, para não te perder.

    Nunca te ganhei
    Pois nunca te agarrei,
    Mas tua mão segurei
    E teus lábios eu beijei.

    E quero voltar a provar
    Esse quente que é o teu ar
    Quero voltar a voar
    E com magia, acreditar.

  3. HEHEHEHEH, belos tempos! Gostava tanto desses pontapés e rasteiras que ainda hoje os pratico!

    AR

    antonioraminhos.blogspot.com

  4. Tenho cada vez mais a certeza que não tive uma infancia minimamente interessante. Nunca fiz uma bodega dum carrinho de rolamentos. Nem sei o que são. E se eu já sou assim, imagino como será a geração dos pukamons e etcetramons e o catano.
    Vá lá que eu enquanto criança ainda participei em festivos jogos de arremesso de calhaus mas mesmo assim…

  5. Carrinhos de rolamentos… nunca tive coragem de andar num.
    Mas os rapazes, isso é que era… e se a ladeira era íngreme.
    Há uns anitos, poucos, os miúdos da minha aldeia fizeram um e ofereceram aos meus sobrinhos.
    Nem lhe mexeram!
    A malta, armada em adultos, começou logo a desfiar um sem fim de prováveis acidentes.
    Está lá, encostado a uma parede!
    Lindo, pintado de vermelho, à espera que alguém queira esborrachar-se ladeira abaixo.

  6. Anónimo as tuas rimas são assim a atirar para o menino do post… POBRES!!!!

    Já Reparaste o quanto dificil é rimar um verbo com um verbo????

    LOOOOSER

    Susana mais um belo post!

  7. tens saudades de em criança já andares a levar nessa rata porca dos pretos da tua rua?
    e ainda por cima não cobravas guito…

  8. Viva Susana.

    Andava a pesquisar sobre a Escola Superior de Cinema e Teatro quando me deparei com um texto que me causou alguma estranheza. De início pensei tratar-se de uma brincadeira, “uma provocaçãozinha a um amigo ou qualquer coisa desse tipo”, disse para mim. Porém, depois de o ler melhor percebi que não era a brincar, e não sei bem porquê, continuei no teu blog.

    Fiquei terrivelmente perturbado por pensar que há quem te “oiça”. Que há quem espere pelas tuas palavras. O teu discurso podia ser considerado perigoso se não se apresentasse TÃO vazio, se as tuas palavras não fossem TÃO desengonçadas, SE! SE! SE! Tantos “ses” desocultam a verdade das tuas manifestações, ou seja, o ZERO.
    A tua tendência literária, que se inscreve numa “literatura de elevador” (dos antigos) não deixa que te levemos muito a sério, no entanto… fica cá dentro um “bichinho a morder”, talvez seja o “bichinho social”. E pergunto-me: Não vive nesta rapariga um mínimo de consciência social, pois não apresenta um pingo de humanidade quando se refere às PESSOAS. Quem lhe terá feito tanto mal? Porque odeia tanto a humanidade?
    Intriga-me… inquieta-me… entristece-me pensar que PODEMOS um dia, não muito distante, SER, ou FICAR, “assim”… assim tão pequenos, tão enferrujados no que toca ao SENTIR.

    Esta conversa pode-te parecer um lugar comum, mas lembremo-nos que foi também de lugares comuns que se formou a NOSSA tão rica civilização.

    Seja o teu “pequeno universo” povoado por “pretos”, por “paneleiros”, por “cagões”, por polícias sem formação, por advogados-pseudo-moralistas-armados-ao-pingarelho, etecetera e tal, com tanto excesso nunca te afastarás daquilo que odeias. (Arrisco-me? TU?)

    Abraços.

    PS: Susana, desculpa não me identificar. Não o faço por medo que alguns dos que frequentam o teu blog me procurem e me atestem de porrada. Sinceramente, é de meter medo o vosso discurso. Cuidem-se ou “relax” ou mesmo “peace and love”, como dizem os freaks que VOCÊS tanto desdenham.

    😉

  9. Senhor freak,

    acho que não compreendeste bem o post e muito menos o contexto global deste blog. Ainda bem que para cada 3 freaks que não gostaram houve bastantes mais (quase todos do ESTC…actores, dramaturgia, cinema)que se entretiveram.

    mas afinal, não posso ter a pretensão de me conseguir fazer entender a toda a gente. mas obrigada pela atenção, de qualquer forma.

  10. Foram poucos os momentos
    Mas não há esquecimentos
    Poucos…, mas deliciosos
    E muito fortes, e abondosos.

    Ora em boleia,
    Com a tua ideia
    Com o teu ar felino
    Eu me rendo, e alucino.

    Como mordomo eu fui
    Ao oriente te buscar
    E ao de leve massagei
    Toque suave.., delirei!

    E na Praia das Maçãs
    Te deixei, viva e sã
    Resguardados da chuva,
    Um beijo estavas a pedir
    Mas mais uma vez
    Me deixei dormir.

    E como mordomo novamente
    A Almada fui de repente
    E outra vez no final
    Te deixei ficar mal.

    Ora em passeio
    Com algum receio
    No festival bloqueei
    E nada aproveitei.

    Momento falhou
    Sei o que se passou
    Muita vodka à mistura
    Mas tua vontade, era pura.

    Falavas de namorados
    Não gosto de passados
    E mergulhaste tua mão
    No sitio da criação.

    No regresso até roncaste(hihi)
    Muito baixinho chamaste
    O barulho não incomodava
    Era um som que me embalava.

    Ora em tua casa…
    Abriste-me uma asa,
    Te apresentaste de uma maneira
    E eu não queria fazer asneira.

    Caminhaste à minha frente
    E de repente…, surpreendente!
    Sem o ar fiquei
    E naquele momento, suspirei.

    E não vacilei
    Mas o olhar não segurei
    Estavas de costas a dançar
    E eu comecei a suar.

    Mini-disc para arranjar
    E Bianca para escovar
    Penteavas levemente
    E eu subia…, suavemente.

    E quando estavas a escrever a lista
    Eu não consegui desviar a vista
    Na cama estavas deitada
    Momento certo, que facada!

    Ora em situação triste
    Tu apareceste e mentiste
    Dizias que o outro é que era
    Que te mexia como uma fera.

    E eu calado fiquei
    E ao carro te levei
    Colocaste os oculos escuros
    E eu senti-me em apuros.

    Despedida normal
    Seguiste em frente…, habitual
    Mas quando para trás olhei
    Parada tu estavas…, te desejei!

    Ora em louca situação
    Nas finanças, não disseste não
    Mas levei uma chapada
    Não doeu…, foi bem dada.

    Mas o momento principal
    Na velha Linda…, fenomenal
    Acontecimento da minha vida
    Que estava muito aborrecida.

    Aquele momento aconteceu
    O teu olhar me mordeu
    Muita beleza para mim
    Foi o que pensei, e não vi.

    Em mim não acreditei
    Fiquei medroso e vacilei
    Falhei o seguinte encontro
    E pensei que estava morto.

    Mas tu quiseste me chamar
    E em Belas me cativar
    Um passeio no jardim
    Me disseste.., eu vivo assim.

    E aquele beijo único
    Eu fugi como fosse o último
    Estupidez da minha parte
    Não soube utilizar a arte.

    Ao telefone me chamaste amor
    E eu calado…, fui um estupor
    E quando na minha casa poisaste
    Fui um burro, fui um desatre.

    Podia ter acontecido
    Não se passou, fiquei dorido
    Estava feliz com aquele momento
    Pior foi depois
    Que grande sofrimento!

    Beijo miuda!

  11. Com tanto poeta que aqui anda até fiquei envergonhado de mandr o meu bitaite. Mas tinha a ver com controlo anti-doping…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Artigos relacionados

Digite acima o seu termo de pesquisa e prima Enter para pesquisar. Prima ESC para cancelar.

Voltar ao topo